Atlas da solidão

Há um conto de Michel Tournier chamado Tristan Vox que fala de um homem — Félix Robinet — que trabalha na rádio apaixonando multidões com a sua bela voz, mas que não pode dar-se a conhecer fisicamente. Tristan Vox é o duplo de Félix Robinet que se forma através da imaginação dos ouvintes, uma imagem completamente alicerçada numa voz emitida através de circuitos de som, desde o microfone no estúdio ao aparelho de rádio em casa. Uma voz sem corpo, sem substância, sustentada pela distância e por um certo ensimesmamento. A existência de Félix Robinet fica, assim, consolidada numa personagem cuja sobrevivência só é possível à custa do distanciamento, de uma intersubjetividade completamente dilacerada e descarnada.

Em 2017, o cirurgião americano Vivek H. Murthy declarou haver uma «epidemia de solidão». Vivek Murthy era um jovem médico quando percebeu que a sua formação em medicina tinha ficado aquém das expetativas. Nada nessa formação o tinha preparado para um dos problemas de saúde mais frequentes que encontrava na sala de exames. Em 2018, o Reino Unido instaurou um Ministério da Solidão, sendo seguido pelo Japão em 2021. O Japão criou o Ministério da Solidão porque, até outubro de 2020, morreram mais nipónicos por suicídio do que por Covid-19, registando-se uma subida de 750 suicídios face a 2019 (a primeira subida face ao ano anterior em 11 anos). Eram jovens com menos de 18 anos e mulheres.

A solidão impacta na democracia, não escolhe idades nem classes sociais e é uma dor psicológica com implicações biológicas que, tornada crónica, pode matar. Sem esquecer a evidência de que as políticas neoliberais — da defesa do predador sobre a presa camuflada pela defesa da liberdade; a defesa da redução de impostos que conduz à redução do investimento nos serviços públicos; a defesa da meritocracia e dos seus benefícios afinal baseada numa mentira sistémica destinada a perpetuar a riqueza daqueles que já são ricos; e a promoção da felicidade trazida pelo capitalismo — aumentam o sentimento de solidão. A ausência de apoio das instituições, o vazio das redes de cuidados e a falta de profissionais conduzem à obstrução da cidadania. O capitalismo neoliberal veio remodelar não só relações económicas, mas também relações pessoais. Em 1981, Margaret Tatcher dizia ao Sunday Times: “A economia é o método; o objetivo é mudar a alma e o coração.”

Desde 2020, as restrições para conter o vírus SARS-CoV 2 vieram agravar a situação, com elevado custo e consequências potencialmente graves para a saúde mental e física, um risco amplificado naqueles que têm doenças mentais pré-existentes. Mas perante o hodierno flagelo da felicidade, a solidão é um estigma: muitas pessoas negam que se sentem sozinhas. Vivemos no tempo mais conectado da história da humanidade e sentimo-nos isolados, esquecendo também que a solidão e a monotonia têm também um lado positivo: são essenciais para a abertura ao pensamento crítico e para a fruição da criatividade.

Para que serve a solidão? Porque se torna ameaçadora? Como podemos usufruir da nossa solidão num mundo que se tornou mais veloz do que nunca? Atlas da Solidão aborda um tema crucial para o entendimento da contemporaneidade e convoca uma reflexão sobre múltiplas dimensões da solidão, positivas e negativas, num programa interdisciplinar que procura abordar o tema dos pontos de vista teórico, simbólico e prático. O programa — que inclui conversas, um concerto, uma oficina para adolescentes, um curso online, performances, dança e uma exposição — concentra-se na galeria Appleton Square, em Lisboa, de 31 de março a 29 de abril de 2023, que se torna numa plataforma de encontro entre o público e os intervenientes do projeto.

Especialistas com investigação sobre o tema da solidão estabelecem diálogo com a observação crítica artística, havendo abertura à participação do público: Adalberto Carvalho (Filosofia), Sónia Martins (Psicologia) e Rui Miguel Costa (Ciberpsicologia) connosco n’Uma comunidade de solidões. Com obras de Isabel Cordovil (escultura), Horácio Frutuoso (instalação), Mag Rodrigues (fotografia), Pedro Lagoa (vídeo), Joana Ramalho (desenho), Luís Barbosa (fotografia) e Bert Timmermans (técnica mista), a exposição Quero um dia em que não se espere nada de mim apropria-se da ideia warburgiana que confere às obras um interesse horizontal — uma fotografia possui o mesmo valor que uma pintura. Para o público jovem, Joana Cavadas dirige uma oficina de criação artística, cerca de cinco sessões de exercícios para refletir sobre diferentes perspetivas da solidão e responder à pergunta porque fugimos da solidão? Num mundo em que estamos em constante comunicação, será que podemos sentir-nos sós? Vrndavana Vilasini concebe um curso online em que pretende abordar a representação da melancolia, em particular na arte e na literatura, a partir de material teórico e poético. Em exibição, com um formato de áudio-caminhada, estará também Terra Nullius, de Paula Diogo, peça que transborda o espaço da galeria, ocupando a geografia urbana da cidade e o espaço virtual de discussão e pensamento. A caminhada-espetáculo inicia-se e termina na Appleton Square, havendo lugar a uma caminhada solitária nas imediações da galeria, com apoio de um mapa. No final, cada espetador recebe um livro. O bailarino e coreógrafo David Marques, apresenta Comoção, uma criação nova pensada para o espaço da Appleton Square acerca da cumplicidade entre a escrita e a dança. Approach and enter — performance de Vânia Rovisco que explora os movimentos de aproximação entre sujeitos e corpos, os limites da intimidade, da proximidade física e do corpo como superfície de inscrição de sentido — é apresentada na última semana como instalação no âmbito da exposição coletiva. O Atlas da Solidão não estaria completo sem o concerto contemplativo de Margarida Garcia e Manuel Mota, cuja linguagem sonora proto-cinematográfica onde o silêncio perfura, desvia e perturba constantemente a forma musical, como um ponto de charneira que catapulta o som para o universo da matéria, nos mergulha no recolhimento e reclusão de um tempo que se anula a si próprio e que descobrimos.

Irá o novo mundo criar formas extremas de mascarar os estados emocionais de isolamento que podem levar à sua destruição? Estaremos condenados — como no dilema do porco espinho de Schopenhauer — a aproximar-nos e repelir-nos devido aos espinhos da nossa natureza?

Conceção e direção artística: Marta Rema

Escreve, sendo atualmente coordenadora editorial da revista Electra e responsável pela área de Projetos Curatoriais da efabula. Com formação em Filosofia e em Estudos Curatoriais, a partir de 1995 assumiu a inquietação com o silêncio na relação com a escrita, expandido a investigação a outras relações, nomeadamente com o corpo, com o tempo, com a linguagem, a música, o cinema e com as artes plásticas. Concebeu e dirigiu o programa “As coisas fundadas no silêncio”, com nove atividades, em Lisboa. O seu projeto de curadoria “Muitas vezes marquei encontro comigo próprio no ponto zero”, que propunha igualmente uma reflexão sobre o silêncio, obteve o prémio Júlio Pomar (edição 2018-19). Comissariou a exposição “Como silenciar uma poeta”, de Susana Mendes Silva e três exposições na galeria Round the Corner (2012) dos designers João Machado, “O efeito de um livro expandido para além da forma”; Margarida Garcia, “Wintering”; Sara Lamúrias, “The Birdwatchers”. O seu percurso nas artes performativas inclui a participação em “Drifting/Em Deriva”, de António Pedro Lopes e Gustavo Ciríaco; “Jacarandá”, com Jonas Lopes; “Bardo”, com Sofia Borges e a solo “Arlequina”. No âmbito literário, publicou a peça de teatro “Como um quarto sem telhado” (Coleção de Textos de Teatro do Teatro D. Maria II), apresentada ao público no mesmo local, com encenação de Paula Diogo. Os seus contos e ensaios estão publicados em diversas plataformas online e periódicos. Escreve desde 2010 no seu blogue fogoslocais.

Produção: Ricardo Batista

Mestre em Performance e Instalação, licenciou-se em Arte Multimédia pela Faculdade de Belas Artes de Lisboa. Em 2009, inicia o seu percurso na área cultural como Assistente de Produção na galeria Espaços do Desenho. Foi responsável pela criação, implementação e execução do projeto educativo VOXPOP para o Museu Coleção Berardo, em 2014. No ano seguinte, integrou a equipa de produção da galeria FRUTTA, em Roma, onde trabalhou com os artistas Yonatan Vinitsky e Gabriele de Santis. De 2017 a 2020, contribuiu como elemento externo a Direção-Geral das Artes no apoio à implementação do Novo Modelo de Apoio às Artes. Tem colaborado como produtor e coordenador de projetos na 5ª e 6ª edições da Trienal de Lisboa (2019 e 2022). Paralelamente, tem complementado o seu percurso como ilustrador, com especial interesse na ilustração científica, editorial e infantil.

Design gráfico: João M. Machado

Designer gráfico com um interesse particular no desenho de livros. Formou-se em Design Gráfico em Lisboa, tendo prosseguido os seus estudos em Barcelona, onde também trabalhou com o estúdio Base Design, e em Londres, onde concluiu com distinção o mestrado de Design Gráfico da Chelsea College of Art & Design (University of the Arts London). Colaborou ainda com o Department of Art History da University of Colorado, em Denver (EUA). Tem participado em várias exposições, incluindo no Institute of Contemporary Arts e Royal College of Arts (Londres), Tecla Sala (Barcelona), Bienal Experimenta Design 2005 e 2015 (Lisboa), e Galeria Round the Corner (Lisboa). Colaborou com o Atelier Pedro Falcão, trabalhou na Galeria Vera Cortês e encontra-se atualmente a trabalhar em estúdio próprio, onde desenvolve trabalhos de design gráfico para projetos editoriais e artísticos. É professor convidado no Mestrado de Edição de Texto da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas (Lisboa), onde é responsável pela cadeira de Informática para a Edição de Texto.

Vídeo: Francisca Manuel

Pós-graduada em Arte Multimédia (FBAUL). Estudou Arquitetura e Cinema (2002-2008). Realizou diversas vídeo-instalações: Avenida 211 (2018), aquisição coleção de arte Fundação EDP / FUSO VideoArte 18 – Menção Honrosa do Júri; Catherine ou 1786 (2017), Centro de Artes Arquipélago / Walk&Talk 17. Realizou o documentário A Coragem de Lassie (2009) sobre a artista Ana Jotta – Prémio Internacional de melhor Documentário sobre Arte (N.Y. Film Festival 09). Em Amesterdão foi assistente de Fiona Tan para a exposição Options & Futures, Rabo

Kunstzone Utrech, e na longa-metragem History’s Future (2015). Em 2011, foi-lhe atribuída a bolsa Inov-Art e integrou a equipa de produção do Forumdoc.bh – 15º Festival do filme documentário e etnográfico, Brasil. Estreou-se como atriz na longa-metragem A cidade onde envelheço (2015), de Marília Rocha. Entre outros festivais, foi o grande vencedor do 49º Festival de Brasília, arrecadando quatro prémios. Está a finalizar a sua primeira longa-metragem de ficção Vale das dúvidas. Desde 2007 é autora e colaboradora em projetos audiovisuais com artistas, performers e arquitetos.

Fotografia: Alípio Padilha

Fotógrafo profissional residente em Lisboa. Formação: CENJOR, Associação Portuguesa de Arte Fotográfica, Instituto Português de Fotografia e Movimento de Expressão Fotográfica de Lisboa. Fotógrafo de artes performativas ao longo de mais de uma década, com trabalho editado pelo Teatro Nacional D. Maria II, CTT, Uzina Books, Imprensa Nacional Casa da Moeda, Tarumba, CTL Lisboa, Universal Music, Sony Music, MAAT, Ruamag. Artes performativas: GTN, Teatro Praga, Among Others, Teatro Nacional D. Maria II, Companhia Nacional de Bailado, Anne Teresa De Keersmaeker, João Botelho, Companhia Olga Roriz, Companhia Clara Andermatt, Silly Season, Sónia Baptista, Joana Sequeira Duarte, Um Coletivo, Divas Iludidas, Elmano Sancho, Martim Pedroso, Patrícia Couveiro, Rui Catalão, A Garagem, Tarumba-teatro de Marionetas, May Joseph, Teatro do Elétrico; Companhia da Outra, Cláudia Dias (Alkantara), André E. Teodósio, Mário Coelho, Pedro Baptista, Susana Mendes Silva, Javi Núñes Gasco, LU-CA – Teatro Luís de Camões, Teatro Municipal Maria Matos, Tiago Vieira, Ruadasgaivotas6, Teatro do Silêncio, Miguel Bonneville, Aurora Pinho. Músicos: Sérgio Godinho, GNR, Mão Morta, Danças Ocultas, Music Box, Ritz Club. Eventos: Festival Indie Lisboa, Festival FIMFA, Festival FUSO, Festival TEMPS D’IMAGES, “Lisboa Idade”, “Panorama – Mostra do Documentário Português”, DOCLISBOA.

Assessoria de imprensa: Rita Bonifácio

Estudou Ciências da Comunicação na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, na Universidade Nova de Lisboa. Fez estágio curricular no Arquivo Fotográfico da Cinemateca Portuguesa e depois estágio profissional no ANIM (Arquivo Nacional de Imagens em Movimento). Trabalhou de 2008 a 2011 nas Produções Fictícias onde foi coordenadora de vários departamentos e integrou a primeira equipa do Canal Q, como responsável de comunicação. Foi diretora de produção da edição 2012 do Festival Monstra e integrou o projeto de consultoria para a Sec. Est. da Cultura, apresentado em 2014, “Criação de Instrumentos Financeiros para Financiamento do Investimento na Cultura, Património e Indústrias Culturais e Criativas”. Tem trabalhado desde 2007 nas áreas de comunicação e assessoria de imprensa na área da cultura e em 2016 criou a empresa de comunicação e assessoria de imprensa Paris, Texas, onde desenvolveu projetos como Ama-San de Cláudia Varejão, A Fábrica de Nada de Pedro Pinho, Campo de Tiago Hespanha, Tempo Comum de Susana Nobre (Terratreme), Correspondências de Rita Azevedo Gomes (C.R.I.M.); Artes Performativas – Festival Materiais Diversos 2019, Temps d’Images 2017 e 2018; Artes visuais – FUSO 2018 e 2019, FEA 2019, Appleton Associação Cultural, Lisbon Art Weekend 2019, exposição Um Realismo Necessário de José Pedro Cortes, exposição Planta Espelho de José Pedro Cortes, Hangar – Centro de Investigação Artística e Palhaço Rico Fode Palhaço Pobre, de João Pedro Vale e Nuno Alexandre Ferreira.

Comunicação: Ricardo Rodrigues

Profissional de assessoria de imprensa e especialista em comunicação, gosta de dizer que a sua vida profissional se divide entre a comunicação, o jornalismo e o cinema. É mestre de Ciências da Comunicação pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, tendo-se formado com a apresentação de uma tese sobre a performatividade da crítica cinematográfica portuguesa. Tem experiência de 10 anos em jornalismo cultural e de 7 em assessoria de imprensa e comunicação cultural, tendo trabalhado com quase todos os setores nela contidos: da música ao cinema, teatro, artes visuais e literatura. Atualmente tem o seu próprio projeto em freelancing de assessoria de imprensa, comunicação cultural e visibilidade mediática, representando vários artistas e eventos nacionais.

Gestão financeira: Sílvia Guerra

Habilitação de Técnica Oficial de Contas pelo Centro de Estudos de Contabilidade (1995). Desempenhou funções em diversas entidades, tais como: Selmiconta-Gabinete de Contabilidade como escrituraria (1988-1996), Gestiponte – Operação e Manutenção das Travessias do Tejo, como assessora financeira (1996-2000), SGLP-Soc. Mediação Imobiliária, Lda., Artes & Manhas – Artes Decorativas, Artes & Manhas II – Bar Galeria, e A. Pinheiro- Construção Civil, como gerente (2001-2008). Ao longo deste período acumulou funções como Técnica Oficial de Contas em diversas empresas. Desempenhou funções de contabilista e de apoio à gestão administrativa e financeira na Materiais Diversos (2007 a 2012) e na Revista Obscena (2010). Atualmente colabora como contabilista e gestora financeira na Re.Al, na Nova Companhia e como contabilista na produção de filmes na Ar de Filmes, Lda.

Conversas

Adalberto Dias de Carvalho

Professor coordenador principal, diretor e presidente do Conselho Técnico-Científico do ISCET – Instituto Superior de Ciências Empresariais e do Turismo onde também leciona no Mestrado em Turismo e Desenvolvimento de Produtos Turísticos. É professor catedrático (aposentado) da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, onde é também investigador integrado do Research Group – Philosophy and Public Space do Instituto de Filosofia. Doutorado em Filosofia pela Universidade do Porto e em Turismo pela Universidade de Girona. Tem exercido funções como professor convidado nas universidades de Paris 8, Rouen, Nantes, Universidade do Mar Egeu e Universidade de Eduardo Mondlane, integrando várias sociedades científicas internacionais, sendo também autor de um vasto e diversificado trabalho científico no âmbito de problemáticas transdisciplinares de natureza antropológica, hermenêutica, epistemológica e pedagógica. É coordenador do Observatório da Solidão do ISCET.

Luís Barbosa (1975, Porto). Formador de fotografia no IPF (Instituto Português de Fotografia) onde realizou o seu curso (2002-2004). Tem vindo a documentar, como freelancer, festivais e atividades culturais no Porto e norte de Portugal, nomeadamente Futureplaces, Nomadic, Manobras no Porto, Festival do Norte. Exibiu o seu trabalho em algumas exposições individuais e coletivas na Eslováquia, Lituânia e em Portugal. Publicações em algumas revistas incluem Orion Magazine, WIP Magazine e Aorta Magazine. Em 2018 foi distinguido pela Sociedade Portuguesa de Autores com o prémio de Fotografia pelo projeto Portuguese Prison Photo Project exposto no Centro Português de Fotografia, Porto, 2017 e no Museu do Aljube, Liberdade e Resistência em 2019.

Sónia Martins

Psicóloga Clínica, com Mestrado em Psicologia, área de especialização em Avaliação Psicológica, pela FPCEUC e com Doutoramento em Gerontologia, pelas Universidades do Porto e de Aveiro (2014). Foi Bolseira de Pós-doutoramento pela FCT, no Center for Health Technology and Services Research. É membro integrado e investigadora neste mesmo centro de investigação e no Departamento de Neurociências Clínicas e Saúde Mental da FMUP. A sua investigação está relacionada com o envelhecimento e saúde mental, demência, delirium, depressão, psicogerontologia, psicologia clínica e da saúde, intervenções familiares e psicoeducacionais. É coautora em publicações em revistas com arbitragem científica, bem como coautora em diversas comunicações internacionais e nacionais. Colaborou na docência das Unidades Curriculares de Psicopatologia do Curso de Enfermagem da Universidade Católica do Porto (2010-12), Demências do Mestrado em Terapia Ocupacional em Saúde Mental (2013-15), Psicopatologia do Envelhecimento da Licenciatura em Gerontologia Social do Instituto Superior de Serviço Social do Porto (2018), Psiquiatria e Saúde Mental do Curso de Medicina da FMUP (2016-19) e da UC de Saúde Mental em Pessoas Idosas do Programa Doutoral em Gerontologia e Geriatria da UP/UA (2012-2017). Colabora na docência da UC de Psiquiatria Geriátrica do Mestrado em Psiquiatria e Saúde Mental e de Doenças Psiquiátricas.

Rui Miguel Costa

Doutorado em Psicologia pela University of the West of Scotland, é atualmente investigador no William James Center for Research no ISPA – Instituto Universitário em Lisboa. Entre os seus interesses de investigação, destacam-se os fatores psicológicos e psicofisiológicos que influenciam a função sexual, assim como a psicopatologia e a solidão associadas às novas tecnologias.

Exposição

Bert Timmermans

Doutorado em História da Arte, é historiador e artista. Timmermans lida com a estratificação da história, a sua memória e amnésia, juntamente com todos os seus espaços repletos e vazios, e a forma como estes metamorfoseiam a realidade. A prática artística de Timmermans está enraizada na tradição dos arqueólogos pioneiros da imagem do início do século XX, Aby Warburg e Walter Benjamin, que estudaram o nexo entre a iconologia e os media, a imagem e a história. Os trabalhos são criados em múltiplas sessões, através de procedimentos que se baseiam na teoria prática e práxis teórica da montagem. Timmermans trabalha alternadamente com suportes mistos, tinta, tinta e colagens ou montagens. É membro fundador da WorkPlace (Antuérpia) e colaborou com Tramway Anversois (Antuérpia), Galeria MX 7 (Antuérpia) e Galeria Roberto Polo (Bruxelas). O Centro de Arte Moderna e Contemporânea de Castilla-La Mancha (CORPO) contém duas séries das suas obras.

Horácio Frutuoso

Estudou pintura na Faculdade de Belas Artes do Porto onde terminou o curso sendo premiado com o prémio de aquisição 2012/2013. Esteve envolvido em vários projetos artísticos como o Sintoma, a Painel ou projeto Expedição. Desenvolve com frequência projetos editoriais, mantendo uma colaboração regular com o Teatro Praga desde 2016. Expõe o seu trabalho com regularidade, destacando-se: Sage Comme Une image, Lisboa (2020); Clube de Poesia, curadoria de Ricardo Nicolau, Museu de Serralves, Porto (2019); Mitos… NON… Avesso…, curadoria de Marta Mestre, CIAJG, Guimarães (2021); Ponto de Fuga, Coleção António Cachola, curadoria de João Laia, Cordoaria Nacional Lisboa (2019); Biblioteca, BoCa – Biennial of Contemporary Arts, Lisboa (2019); Haus Wittgenstein, curadoria de Nuno Crespo, MAAT, Lisboa (2018); 1000 IMAGENS; A word is worth a thousand pictures, curadoria de Alexandre Melo, Cristina Guerra Contemporay Art Gallery, Lisboa (2018); O que Eu sou, exposição coletiva da coleção da Fundação EDP, MAAT, (2017); White Horse, Bregas, Lisboa, (2016). Tem a sua obra representada em várias coleções privadas e institucionais como a Coleção de Arte da Fundação EDP, Fundação PLMJ, e a Coleção António Cachola.

Isabel Cordovil

Após realizar Erasmus na Athens School of Fine Arts, e uma licenciatura em Multimédia na Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa, concluiu mestrado em Artes Visuais na HEAD Geneva University of Art and Design e desenvolve ateliê em Lisboa. É membro original do coletivo rabbit hole desde 2012. O interesse em gatherings e gestos performativos, levou-a a explorar a matéria estática e os volumes no espaço, por vezes chamados de escultura, por outras chamadas de companhia. O seu trabalho lida com tentativas de documentação de paisagens emocionais através da poética do comum. Entre as suas exposições individuais, destacam-se: 28 DAY RAVE NATURE IS HEALING, Alvista gallery, Zurique, Suíça; COMO ÁGUA NA ÁGUA, EGEU, Lisboa; CRYING ON THE TELEPHONE, Open Studio, Lisboa; UNTITLED (A TALE OF TWO BODIES), OKO, Genebra, Suíça. Entre as exposições coletivas em que participou, destacam-se: DIP ME IN THE RIVER, DROP ME IN THE WATER, Galeria Pedro Cera; CHAIN REACTION, Culturgest; UM CORPO, UM RIO, Galeria Liminar; GRAN TOUR, HEAD Genebra. Desenvolve trabalho como cineasta tendo realizado os filmes O bloqueio (exibição no Queer Lisboa e BFI Flare London 2016), Orizaba (Doclisboa 2014) e D. Sebastião (Doclisboa 2013).

Joana Ramalho

Curso de Pintura e Desenho no Ar.Co (2010). Frequência da Licenciatura de Artes Plásticas na Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias. Residência artística na MArt (2015). Pós-Graduação em Pintura na Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa (2017). Tem como especialização as áreas de Pintura, Desenho e um especial interesse por caligrafia. Participou em diversas exposições coletivas, como “Não há amor, só existem provas de amor, Centro Cultural de Belém (2015), “12×12”, Galeria Arte Graça, Dezembro (2019), Poster Mostra Pública Marvila (2020), na Feira internacional de Arte Bruta Outsider Art Fair, Nova Iorque (2020), na exposição “Incómodo” (2020) no Museu Municipal de Faro, na exposição “MANICÓMIO X CPS: Imitação da Existência” (2021) na Galeria do Centro Português de Serigrafia no Centro Cultural de Belém e na exposição “ O Outro como epifania do belo” (2021) no Museu de São Roque. Joana é representada pelo MANICÓMIO desde 2019.

Luís Barbosa

Formador de fotografia no IPF (Instituto Português de Fotografia) onde realizou o

seu curso (2002-2004). Tem vindo a documentar, como freelancer, festivais e atividades culturais no Porto e norte de Portugal, nomeadamente, Futureplaces, Nomadic, Manobras no Porto, Festival do Norte. Exibiu o seu trabalho em algumas exposições individuais e coletivas na Eslováquia, Lituânia e em Portugal. Publicações em algumas revistas incluem Orion Magazine, WIP Magazine e Aorta Magazine. Em 2018 foi distinguido pela Sociedade Portuguesa de Autores com o prémio de Fotografia pelo projeto Portuguese Prison Photo Project exposto no Centro Português de Fotografia, Porto, 2017 e no Museu do Aljube, Liberdade e Resistência em 2019.

Mag Rodrigues

Formada em Fotografia Profissional pela Restart – Instituto de Criatividade, Artes e Novas Tecnologias. Fotógrafa profissional independente, produz fotografia de autor e documental e é formadora na área de Fotografia no IPCI – Instituto de Produção Cultural e Imagem. Entre os seus projetos fotográficos encontram-se: Subsolo (Hospital Santa Maria, 2018; Best 20 Portfolios em Imago Lisboa Photo Festival 2019); As Senhoras (14ª ExpoSocial do Município de Seia, 2019); Covidário (2020); Mãos no metro de Lisboa (2019/20); Património (2020-22); Famílias (Espaço Santa Catarina, Lisboa, 2021); Homenagem à Pacheca e a todas as Pachecas deste mundo (2021).

Pedro Lagoa

Artista visual cujo trabalho se tem desenvolvido maioritariamente em torno de conceitos específicos de destruição, explorando o seu potencial enquanto expressão de recusa e ferramenta crítica. O seu trabalho tem sido apresentado internacionalmente, contando-se, entre outros: arquivo de destruição: Departamento de Infra-estimulação Cognitiva, Culturgest (2020); We Are Here Now… What Then?, Art Polygon, Gwangju (2018); archive of destruction: London Branch, Gasworks, Londres (2014); 12 Contemporâneos, Museu de Serralves, Porto (2014); record breaking party, Cabaret Voltaire, Zurique (2013).

Oficina para adolescentes

Joana Cavadas

Licenciada em Design Gráfico no IADE (2006). Formação em diversas áreas de expressão artística como a ilustração infantil (Ar.co, 2007), fotografia analógica (Ar.co, 2008), serigrafia (la lavenderia, Madrid, 2016), gravura (Fica, 2018), e curso de motion design (etic, 2019/2020). Frequentou também um curso de animador sócio-cultural em Le Mans, França, 2013. Em 2010 ganhou a bola INOV-ART para trabalhar no projeto educativo do Museu da Biblioteca Nacional de Espanha. Coordenou o projeto social +Caminhos, na ONG Casa do Caminho no Rio de Janeiro (2011/12). Criou várias oficinas infantis de expressão plástica, stop-motion, sensoriais, de ilustração entre outras, em França, Espanha e Portugal em regime de freelancer. Integrou a coordenação do projeto educativo financiado pela Fundación Repsol, E2 Educación y Energía (2014/15, Madrid). Ganhou o concurso para realização das oficinas de verão no Museu de la BNE (2015, Madrid). Trabalhou como mediadora cultural no Museu das Comunicações e foi convidada para criar o serviço educativo da exposição permanente Memória do Seguro, da Associação Portuguesa de Seguradores (2020, em suspenso devido à pandemia). Atualmente trabalha também como designer gráfica e ilustradora freelance.

Concerto

Manuel Mota

Músico com atividade pública desde 1990, realizou concertos na Europa e nos EUA. Cria a editora Headlights em 1998-99, onde tem editado a maior parte da sua música. Fez colaborações duradouras com Margarida Garcia e David Maranha/Osso Exótico. Outras colaborações a destacar: Marcia Bassett, David Grubbs, Noel Akchoté, Giovanni Di Domenico, Okkyung Lee, Chris Corsano, Tetuzi Akiyama, Toshimaru Nakamura. Colabora com a Appleton Associação Cultural na sua programação musical de 2019 até hoje. Formou-se em Arquitetura em 1996.

Margarida Garcia

Tem vindo a desenvolver uma linguagem muito pessoal e singular para contrabaixo elétrico. Simples, melodiosa, lenta, sub-aquosa, palpitante e melancólica. Ultrapassa a práxis contemporânea de improvisação com uma espiral vinda do fundo do subsolo psicadélico contemporâneo. Antes de ter estado em Nova Iorque, em 2004, onde tocou regularmente em concertos com Loren Connors e Marcia Bassett, foi uma figura muito presente no som underground em Lisboa. Aí, conheceu o guitarrista Manuel Mota, com quem a primeira colaboração remonta a 1998. As suas explorações do arco, na sua maioria sombriamente dramático, em territórios profundamente obscuros e silenciosos, encontram-se igualmente em colaborações com Thurston Moore, David Maranha, Gabriel Ferrandini, Mattin e Nöel Akchoté, entre outros. As artes visuais desempenham também um papel importante na sua atividade, tendo publicado um livro de desenhos, realizado várias exposições e trabalhos artísticos para muitos lançamentos musicais. Trabalha frequentemente com o ensemble Graindelavoix, de Björn Schmelzer, nos seus vários empreendimentos artísticos.

Dança

David Marques

Trabalha como intérprete e coreógrafo a partir de Lisboa. Estudou dança na Escola Superior de Dança – IPL em Lisboa e seguiu a formação em coreografia exerce do Centre Chorégraphique National de Montpellier, dirigida por Mathilde Monnier, como bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian. Começou a desenvolver o seu trabalho coreográfico em 2007 com o solo ‘Motor de Busca’ apoiado pela EIRA. Com Ido Feder criou a trilogia ‘Bête de Scène’/’Images de Bêtes’/’THE POWERS THAT B’ e com Tiago Cadete ‘Apagão’, uma peça no escuro. Em 2017, apresentou ‘Ressaca’ na Culturgest em Lisboa e em 2019 desenvolveu com um grupo de seis intérpretes a peça ‘Mistério da Cultura’ apresentada no 10º Festival Materiais Diversos em Minde e na temporada de abertura do renovado Teatro do Bairro Alto em Lisboa. Foi nomeado para o Prémio Autores SPA ‘Melhor Coreografia’ com ‘Ressaca’ e ganhou o mesmo com ‘Mistério da Cultura’. Tem sido apoiado pela Fundação Calouste Gulbenkian, pela Direção-Geral das Artes e pela Fundação GDA para a criação e difusão da maioria dos seus projetos. Tem colaborado como intérprete em peças de Loic Touzé, David Wampach, Francisco Camacho, Filipa Francisco, Tiago Guedes, Lucie Tumova, Maya Levy e Hanando Mars (dança) Raquel Castro e Tiago Vieira (teatro) e Emily Wardill (artes visuais). Leciona na Escola Superior de Dança – IPL, Jerusalem Academy of Music and Dance, Danslab Bruxelas. É fundador da PARCA.

Caminhada-espetáculo

Paula Diogo, é atriz, performer e encenadora com um percurso marcado por processos colaborativos. Nos últimos anos tem-se dedicado à criação e à produção de objetos artísticos. Tem uma licenciatura em Formação de Atores/Encenadores pela ESTC em Lisboa e um Mestrado em Artes Performativas pela LHI (Icelandic Academy of Arts), desenvolvido como bolseira da Fundação Calouste Gulbenkian e da Fundação GDA. Foi cofundadora de várias companhias e coletivos tais como o Teatro Praga (1995-08), TRUTA (2003-2010) e O Pato Profissional Lda (2003-10). Tem trabalhado com diversos artistas e companhias tanto em Portugal como no estrangeiro. Mais recentemente tem vindo a consolidar a Má-Criação, uma plataforma que reúne criadores de diferentes percursos e geografias. Atualmente é uma das artistas apoiadas pela apap – FEMINIST FUTURES um projeto cofinanciado pelo Programa Europa Criativa da União Europeia e integra o coletivo Celestial Bodies, um novo projeto dedicado à abertura de espaços que integram práticas de solidariedade, cuidado, empatia e espanto. 

Performance-instalação

Vânia Rovisco

Artista visual performativa, concluiu o Curso para Intérpretes de Dança Contemporânea do ForumDança (1998-2000). Trabalhou como intérprete com Meg Stuart/Damaged Goods (2001-2007) em diversas peças e projetos de improvisação. Em 2004 começou a fazer direção de movimento. Desde de 2003 dá formação em vários cursos profissionais. Em 2007 tomou a decisão de colocar o corpo no contexto da galeria de arte, concebendo instalações e performances. É cofundadora da plataforma artística AADK, existente em Portugal e Espanha. 2013 estreou o solo “The Archaic, Looking Out, The Night Knight”. Participou na Feira de Arte Contemporânea mOstra14 e 17. Encenou para o festival TODAS a peça “Silos de carros e estradas giratórias”. O seu projeto “REACTING TO TIME, portugueses na performance” trabalha com a transmissão do arquivo vivo da performance em Portugal de finais dos anos 60. Em 2017 criou a peça de grupo “EQUANAMIDADE – ÂNIMO INALTERÁVEL” para o Festival Walk&Talk. Fez a curadoria do Programa Avançado de Criação em Artes Performativas – PACAP3 no ForumDança. Atualmente, o projeto The Plot begins que visa integrar várias disciplinas e práticas artísticas acolhidas no campo-agrícola a 40 quilómetros de Lisboa.

Curso

Vrndavana Vilasini

Licenciada em Artes Visuais pela Faculdade de Artes Visuais – Universidade Federal de Goiás (UFG). Mestre em Literatura pela Universidade de Brasília (UnB). Desenvolve pesquisas científicas no campo das Artes Visuais e Literatura, sobre teoria da melancolia e poética da viagem. Atualmente é doutoranda no programa de pós-graduação em Artes Visuais da Universidade de Brasília (UnB).

Ficha técnica

Artistas: Bert Timmermans, David Marques, Horácio Frutuoso, Isabel Cordovil, Joana Cavadas, Joana Ramalho, Luís Barbosa, Mag Rodrigues, Manuel Mota, Margarida Garcia, Paula Diogo, Pedro Lagoa, Vânia Rovisco, Vrndavana Vilasini

Conferencistas: Adalberto Carvalho (Filosofia), Sónia Martins (Psicologia) e Rui Miguel Costa (Ciberpsicologia)

Conceção e direção artística: Marta Rema

Produção: Ricardo Batista

Design gráfico: João M. Machado

Assessoria de imprensa: Rita Bonifácio/Paris Texas

Comunicação: Ricardo Rodrigues

Vídeo: Francisca Manuel

Fotografia: Alípio Padilha

Parceria: Appleton Square

Apoio à comunicação: Antena 2, Buala, Baldio, CMLisboa, Coffeepaste, Umbigo

Organização: efabula

Financiamento: República Portuguesa — Cultura / Direção-Geral das Artes

 

HCI / Colecção Maria e Armando Cabral / / /