“Na natureza, nada se perde, nada se cria, tudo se transforma.”
Depois da vida fica o pó. A energia, essa, é consumida.
Quando dois artistas se juntam para uma exposição em comum, também se consomem. As suas energias transitam entre si e ao trabalho, é-lhe exigido outra dinâmica.
Há sempre um desconforto no confronto das energias, quer sejam elas as primitivas radiações solares da Diana, quer sejam os reflexos desses objetos ressuscitados pela futurista luz do vídeo do João.
Mas, mesmo em confronto, estas energias não se fundem, elas definem dois limites de um espaço, de uma zona, onde prospera o tempo, o nosso tempo, momento que tem tão de infimamente pequeno, ao lado da vida de um Sol, como de absoluto, na nossa própria existência.
After Life pode, assim, enfrentar a questão dos resquícios das vidas, o que sobra depois da
atividade, dos momentos de pensamento e de execução. E como o que de nós sobra será o tempo para outros, tal como o de cada um é o das sobras de outros, que antes de nós também pensaram e executaram.
Desta maneira, poderemos ser quase reduzidos a transformadores de pensamentos e execuções, colhendo os anteriores e deixando novas formas aos que virão, num processo, também ele, em confronto com os processos de cada um, com mais ou menos intenção de os fazer sobrar para outros a seguir, e assim passarem para a (vulnerável) imortalidade da história, para o “além da vida”.
Temos, assim, essa possibilidade de inscrição e, mesmo depois do nosso pequeno momento, deixarmo-nos pensados e executados.
E talvez até mais, pois mesmo depois de guilhotinada, a cabeça de Lavoisier piscou os olhos durante 15 segundos.
João Chaves