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Catarina Mil-Homens — Ressintonização Afetiva
Co-produção: Balaclava Noir
Três características definem um circuito eléctrico ou eléctronico: Resistência, indutância e capacitância.
A Resistência, característica conferida pelos componentes com o mesmo nome, revela-nos os locais (ou no seu todo) em que estes componentes fazem subir a corrente. Quando a voltagem, a fonte de alimento, é fixa, a corrente necessária varia com a resistência – mais resistência, mais corrente. Quanto mais o circuito “resiste” mais corrente consome.
Por seu lado, a Indutância, é provocada pelas bobines que compõem os circuitos. Não são mais do que enrolamentos de fios, que quando atravessamos por corrente alternada, aquela das tomadas, geram em torno de si um campo magnético, da mesma forma que, se forem expostas a um campo magnético, geram corrente.
Por fim, temos a Capacitância, ligada aos condensadores (capacitors em inglês), uma espécie de pequenas pilhas, onde é armazenada energia. Mais uma vez, ao contrário do que acontece com a corrente contínua, aquela que nos é fornecida em pequenos dispositivos e para pequenas dispositivos, como transformadores de telemóvel, as pilhas comuns, ou até, a bateria do nosso carro, é com a corrente alternada, a das tomadas, onde o mais interessante volta a acontecer, e o nosso condensador se transforma desde um simples fio a um complexo e eficaz filtro.
Olhemos apenas para estas últimas, dado que a resistência tem comportamentos iguais em corrente contínua e alternada, ou seja, tanto no pequeno e doméstico como no mais vasto e público. Para que se possam equiparar à primeira e com isso projetar circuitos, imaginaram-se valores de resistividade para a capacitância e a indutância. E, é aqui, que encontramos o seu maior interesse: quando o valor da resistividade da indutância é igual ao da resistividade da capacitância o circuito entra em ressonância. É esta Ressonância, que acontece a uma determinada frequência, que nos permite sintonizar uma rádio ou um canal de televisão – assim, podemos dizer que é a ressonância que promove a comunicação que nos permite captar o que está em todo o lado mas não é visível, como as ondas hertzianas que transmitem o seu som, bem como a sua imagem.
Por muito ou pouco que se resista, é quando a nossa Capacidade se iguala à nossa permeabilidade de Indução, que nos sintonizamos e permitimos a comunicação, clara e sem ruído. Sem esquecer a corrente alternada, que ao contrário da contínua, da doméstica, é de/para todos, nos é comum.
É nesse comum que se sintoniza, já que no doméstico nem ruido se produz.
Por muito pouco que se resista.
João Chaves
creditos © pedro tropa
HCI / Colecção Maria e Armando Cabral /
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