O Sinapsismo é um movimento artístico unipessoal — proponente, seguidor e dissidente eventual reúnem-se na mesma pessoa e extingue-se no exacto momento da sua apresentação pública:
O mundo chega-nos através de sinapses.
A arte sempre quis saber mais de sinapses do que do próprio mundo, sem disso ter consciência.
O Sinapsismo aspira à representação objectiva das sinapses que ocorrem dentro do nosso cérebro.
Só eu posso aceder às sinapses do meu próprio cérebro, por isso só eu posso representá-las adequadamente (o mesmo acontecerá com qualquer outra pessoa que queira representar uma sinapse).
Uma sinapse é uma ligação.
O que liga, é tão relevante como o que é ligado.
As ligações balançam e fluem continuamente.
As sinapses são intrinsecamente fugidias e saltatórias; exigem, por isso, uma atenção só comparável à velocidade imensurável a que ocorrem.
É possível identificar e captar uma sinapse.
É uma decisão estritamente individual escolher os meios e o melhor ângulo para representar uma sinapse, sendo que qualquer intromissão externa é não só inútil como impraticável.
As sinapses acontecem independentemente da nossa vontade e são uma fonte inesgotável de ponderação e deslumbramento. Nunca faltarão sinapses.
À representação pictórica de uma sinapse chamo SINAPSE-MORTA.
A sinapse é intrínseca à própria realidade.
A sinapse é inexpugnável e o último reduto da liberdade individual.