Céline Condorelli | Jacopo Miliani | Marianna Silva — A revolution in a Spinning Force

A Revolution is a Spinning Force é um exercício expositivo que une os artistas Céline Condorelli, Jacopo Miliani e Mariana Silva numa reflecção colectiva sobre o duplo sentido do termo Revolução, que pode definir seja um momento de viragem social, política ou cultural, como o movimento de rotação de um corpo.

A Revolution is a Spinning Force resulta de um ano de troca de ideias, materiais e impressões entre os artistas e a curadora. Os trabalhos resultantes, obras inéditas que nasceram a partir deste processo de diálogo, serão apresentados nos dois pisos da Appleton Square.
A prática de

Condorelli/Miliani/Silva assenta fortemente numa constante actividade de pesquisa, que se torna o elemento fundador do seu inquérito visual sobre as fontes e transmutações de gestos, formas e objectos. Da mesma forma, os artistas estendem a sua actividade à revisão das estruturas físicas e culturais que constituem o espaço expositivo: como este se relaciona com o tempo e com a sua percepção, e como os sistemas expositivos afectam o modo em que os espaços são atravessados, usados, vividos e percebidos.

Céline Condorelli (Paris, 1974, vive em Londres) é a autora e editora de Support Structures, publicado por Sternberg Press (2009) e é directora fundadora de Eastside Projects, Birmingham. É actualmente Professora na Naba (Nuova Accademia di Belle Arti, Milão).

Exposições recentes incluem ‘Puppet Show’, Eastside Projects, Birmingham (2013); ‘Additionals’, Pavilion, Leeds (2013); ‘The Parliament’, Archive of Disobedience, Castello di Rivoli, Rivoli; ‘Social Fabric’, Iniva, Londres e Lund Konsthall, Suécia; ‘Surrounded by the Uninhabitable’, SALT Istambul (2012); ‘There is nothing left’, Alexandria Contemporary Arts Forum, Egipto e Oslo Kunstforening (2011-12); Manifesta 8, Murcia (2010); ‘Revision, part 1 and 2’ (Artists Space, Nova Iorque, 2009, e Cell Projects, Londres, 2010).

Jacopo Miliani (Florença, 1979, vive em Milão) apresentou os seus projectos em vários espaços expositivos, incluindo: Studio Dabbeni, Lugano; Frutta, Roma; Montehermoso, Victoria; Museo MADRE, Nápoles; Villa Romana, Florença; Nomas Foundation, Roma; Careof, Milão; Barbican Centre, Londres; Istituto Svizzero of Rome, Roma; Castello Sforzesco, Milão; Museo de las Ciencias, Valencia; CAB Centre d’Art Bastille, Grenoble; Form Content, Londres; Círculo de Bellas Artes, Madrid; Serpentine Gallery, Londres; Galeria Vermelho, São Paolo e Komplot, Bruxelas.

Em 2009 realizou o programa de residência Platform Garanti, Istambul. Actualmente é artista em residência no MACRO, Roma. Juntamente com outros artistas, curadores e cientistas, é membro do colectivo OuUnPo (Ouvres d’Univers Potentiel).

Mariana Silva (Lisboa, 1983, vive em Nova Iorque). Exposições individuais incluem ‘Environments’ (com Pedro Neves Marques), e-flux, Nova Iorque, 2013; ‘P/p’, Mews Project Space, Londres, 2013 e ‘A organização das formas’, Kunsthalle Lissabon, Lisboa, 2011. Silva participou em numerosas exposições colectivas, nomeadamente ‘Às Artes, Cidadãos!’, Fundação de Serralves, Porto, 2011; ‘For Love, not Money’, 15th Tallinn Print Triennial, 2011; ‘Entrevista Perpétua’, Cristina Guerra Contemporary Art, Lisboa, 2010; ‘Into the Unknown’, Ludlow 38, Nova Iorque, 2010; ‘República ou o Teatro do Povo’, Arte Contempo, Lisboa, 2009; e ‘BesRevelação’, Fundação de Serralves, Porto, 2008.
Foi residente no Zentrum Paul Klee Sommerakademie, Berna, Suiça, 2010 e no ISCP, Nova Iorque, 2009–10.

Céline Condorelli
Viemos para dizer não, 2013
Instalação vídeo a dois canais, 27’, cor, som

Jacopo Miliani
Studio for an alphabet, 2013
Provas de contacto
Dire e detti, 2013
Projecção de slides

Mariana Silva
Habit du Citoyen, 2013
Modelo 3D rendido em vídeo, 10’’, cor
Ex-Tiara de Saitaphernes, 2013
Modelo 3D rendido em vídeo, 10’’, cor
La Gorguera ou a repetição prolongada da guilhotina, 2013
Modelo 3D rendido em vídeo, 10’’, cor

Céline Condorelli apresenta Viemos para dizer não, uma instalação baseada numa performance homónima, apresentada em Modica, na Sicília, em Agosto de 2012.

O enredo resulta da adaptação do romance antifascista Gente da Sicília (1938) de Elio Vittorini e a peça é actuada – e assistida por – um grupo de marionetas. Reagindo à aparente passividade dos actores no palco – e pela impossibilidade de se revoltarem contra o estabelecido – as rebeldes marionetas na audiência apelam à revolta.
Viemos para dizer não testa as possibilidades de adaptação de um evento ao vivo a uma instalação vídeo ao mesmo tempo que considera o potencial revolucionário do espaço cénico.

Jacopo Miliani apresenta Dire e detti, uma sequência de imagens fotográficas e Studio for an alphabet, uma série de slides que mostram uma possível incorporação do discurso, nas quais o movimento torna-se o gerador de formas e se traduz num gesto de apropriação que actualiza o passado.

A projecção de slides apresenta uma representação física dos caracteres alfabéticos ocidentais. As letras são organizadas de modo a compor uma frase de Carmelo Bene, Quando acreditamos ser nós a dizer, somos ditos (Quando crediamo di essere noi a dire, siamo Detti), em que o escritor-actor-encenador italiano repropõe a suposição de Lacan de que o sujeito enunciador é submetido às suas próprias declarações.

Mariana Silva apresenta três vídeos que propõem uma extensão do espaço expositivo, incluindo objectos ausentes na exposição. As pecas, reconstituídas em animação 3D, fazem parte de uma segunda linguagem museológica, em que se encontra latente a violência da representação do gesto expositivo.

La Gorguera ou a repetição prolongada da guilhotina: golas da aristocracia espanhola do séc. XVI consideradas pelo arquitecto brasileiro Flávio de Carvalho como um prenúncio da invenção da guilhotina, assentes sobre um dispositivo modernista usado por Peggy Guggenheim na sua galeria Art of the 20th Century.

Ex-Tiara de Saitaphernes: suposta coroa grega do séc. III a.C. comprada pelo Louvre e mais tarde declarada uma falsificação, sendo reclassificada como joalharia do séc. XIX.

Habit du Citoyen: poster anónimo, possivelmente da década de 1970, relativo ao “traje de cidadão” desenhado por Jacques Louis David durante a Revolução Francesa.

HCI / Colecção Maria e Armando Cabral / / /