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Dayana Lucas — Perder o nome

“Perder o nome”

Uma cabeça aberta e iluminada no centro, fragilmente suportada do exterior. Um espaço vazio e transparente, marcado por ponteiros, que em curva se elevam e desenham algures três esferas invisíveis, ou três horizontes, ou três tempos: passado, presente, futuro.

O desenho tenta fixar as três personagens, mas estas, sempre em fluxo, coordenam-se musicalmente e resistem à fixação, mapeando no vazio do centro e da entrelinha a linguagem oculta da beleza ou do terror.

Entre o cá e o lá: a suspensão, o lugar da espera.

Perder-se ou encontrar-se às voltas, no lugar do tempo, sem cair da realidade abaixo.

Não consigo ver a bola onde estamos, mas o chão é curvo e está sempre a mexer.

Aqui o chão é a única referência, o único horizonte.

Só no sonho fico sem chão: iluminada perdição.

Vou dormir quando as gaivotas me acordarem.

DL

Em memória de Maurício Pestana Reis

credits © pedro tropa

HCI / Colecção Maria e Armando Cabral / / /