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António Poppe , Eugénia Mussa, Joana da Conceição, The Cursed Assembly — Residências FARRA
A cidade de Elvas tem sido um lugar central para a mostra de arte contemporânea, através não só da actividade regular do MACE (Museu de Arte Contemporânea de Elvas) em articulação com a Colecção António Cachola, como através de uma sucessão de eventos criados (em 2017, 2022 e 2024) com a intenção de ocupar a cidade, utilizando espaços devolutos ou com outras actividades, para a mostra de arte contemporânea, promovendo o acesso a uma cada vez maior diversidade de propostas artísticas num lugar considerado “descentralizado”. O primeiro com o pretexto da celebração dos dez anos do MACE, teve por base a Colecção António Cachola, que se encontrava então dispersa pela cidade, Os últimos dois eventos foram mais além, ao promoverem o trabalho em rede, juntando diversas tipologias de agentes que actuam no sistema artístico português. Assim, entre Junho a Agosto de 2024, surgiu a primeira edição da FARRA – Festa da Arte em Rede da Região do Alentejo, promovida pelo MACE no âmbito da RPAC (Rede Portuguesa de Arte Contemporânea) e que contava com um grupo de outras entidades pertencentes à mesma rede como parceiras e co-organizadoras – Córtex Frontal em Arraiolos, Centro de Arte Oliva em São João da Madeira e Appleton Associação Cultural em Lisboa. Este evento reuniu cerca de 30 projetos expositivos de colecções públicas e privadas, espaços independentes, instituições, membros da RPAC e artistas convidados, articulando e impulsionando a criação, agregado a um sistema em rede e assumindo-se sobretudo, como um momento celebrativo que contempla a circulação entre espaços e instituições culturais.
Durante duas semanas, três artistas e um colectivo – António Poppe, Eugénia Mussa, Joana da Conceição e The Cursed Assembly – foram desafiados pela curadora Ana Cristina Cachola a explorar o território, através de uma residência na Córtex Frontal, que culminaria numa exposição na Torre Fernandina, em Elvas, a que se chamou “Residências FARRA”, palco de cruzamento entre memória e contemporaneidade.
Com abordagens que variam entre o desenho, a pintura e a instalação, cada artista trouxe uma perspetiva única, enriquecendo o discurso sobre identidade, lugar e tempo, já que as obras resultantes revelam uma narrativa coletiva que respeita e decifra o património cultural e arquitetónico da região. Esta apresentação foca-se sobretudo, numa nova forma de leitura, num ambiente que favorece o debate e a reflexão sobre a prática artística ampliada em novos contextos expositivos.
Após a apresentação na histórica Torre Fernandina, e com a premissa de ser um projeto alicerçado na itinerância das obras artísticas, esta exposição presente na Appleton, sublinha a relevância desta iniciativa para além do contexto local, ampliando o diálogo iniciado em Elvas, promovendo a partilha de experiências entre diferentes públicos e espaços numa reflexão contínua sobre o papel da arte na sociedade contemporânea.
Na SQUARE, Eugénia Mussa apresenta uma série de pinturas a óleo sobre cartão reciclado evocando a riqueza e intensidade cromática das relações entre corpo e paisagem. António Poppe com os seus 9 desenhos, oferece uma meditação poética e visual, reforçando a constante presença da escrita na sua prática artística. The Curse Assembly, apresenta uma instalação de livros que tem sido âmbito de estudo para o coletivo criar as suas narrativas, integrando um elemento que nos transporta para o mundo da magia, abordando temas ligados à História, à identidade e à transexualidade.
Na BOX, Joana da Conceição apresenta uma instalação sonora que funde o som, pintura e iluminação, numa experiência imersiva, procurando afinidades com a pintura de fingimento. Este tipo de pintura, encontra-se sobretudo nas Igrejas, usada na decoração de revestimentos arquitetónicos e caracterizada pela representação de materiais e texturas associados à tradição da decoração arquitetónica, aplicando-se em pedras mármore, madeira, tecidos, entre outros. A artista convida o público a explorar narrativas visuais e sonoras que emergem da luz pulsada a partir do strobe. A instalação atua como uma ponte entre o sensorial, o digital e o físico.
A FARRA reafirma assim, o seu compromisso em levar a experiência para além dos limites geográficos na acessibilidade da arte contemporânea criando uma rede de momentos de apresentação que se estende no tempo e no espaço, a partir de novas interações e interpretações como um veículo de transformação cultural e social. Além da itinerância de Elvas para Lisboa, esta exposição terá lugar em S. João da Madeira, no Centro de Arte Oliva.
creditos © pedro tropa
HCI / Colecção Maria e Armando Cabral /
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