Nuno Sousa Vieira — Wall Stop for This
Wall Stop For This é corolário de que o espaço expositivo há muito abandonou o epíteto de simples mostruário para se permitir ser também objeto artístico, obra de arte e método de inquirição.
Divididas em dois núcleos, as obras presentes em Wall Stop For This questionam de forma distinta e independente a problemática da reconstrução ou mimetização dos espaços como forma de acentuar e clarificar as suas propriedades, características e funções.
Sendo a exposição um dispositivo fundamental da arte contemporânea, particularmente quando o espaço expositivo se assume como suporte artístico ou se converte em obra em si mesmo, com os seus sistemas de procedimento, os seus protocolos, as suas práticas e os seus espaços, é legítimo (necessário e desejável) que se questionem modos e modelos de funcionamento e pragmáticas e assumidas valorações de tais espaços.
Ao replicar uma das paredes – a parede frontal e entrada – da galeria, Nuno Sousa Vieira obriga-nos a reentrar no espaço, e dessa forma a parar e considerar aquele objeto (obra de arte?) e o novo espaço expositivo. O reforço de uma tarefa e conceito de forma tão física e material – já presente em outros trabalhos do artista como Entrance[1] ou Draw Main Window[2] – incita o visitante a reimaginar a sua relação espacial com a galeria e inerentemente a reconsiderar os seus significado e funções.
Esta estratégia, deliberadamente acolhedora e convidativa mas desafiante e desorientadora, devolver-nos-á ciclicamente à consideração desta dicotomia entre espaços.
Esta intervenção temporária no interior da galeria, que simultaneamente esconde e reforça a sua estrutura original, acentua os seus dispositivos simbólicos característicos, que o transformam e fazem – a si e aos objetos nele apresentados ou incluídos – diferir do espaço exterior.
A oposição entre estes dois campos, o exterior e o interior, fora de e dentro de, é matéria sobejamente explorada em todas as culturas e expressões artísticas e a representação da janela – e particularmente da janela do ateliê – é emblemática.
“Seja como for que se olhe para uma janela aberta ou fechada – como um olho, um árbitro entre interior e exterior mas comparticipando de ambos, um labirinto, um íman, uma membrana, uma ilusão, uma lente, uma fuga, um moldura interna, uma opacidade, um sistema estético – é sempre, do meu ponto de vista, um plano com comprimento e profundidade mas sem espessura que mimetiza o potencial de uma tela vazia.”[3]
[1] Entrance, 2010, porta de ferro do atelier do artista, 216,5 x 98,5 x 9cm
[2] Draw Main Window, 2010, metal e PVC espelhado pintados, dimensões variáveis
[3] Brian O’Doherty, Studio and Cube, The Temple Hoyne Buell Center for the Study of American Architecture, New York, 2009, p.26
HCI / Colecção Maria e Armando Cabral /
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