Com a mão direita Ângelo de Sousa filma a mão esquerda, muito ampliada quase microscópica.
Os dedos são o orgão do corpo humano com mais nervos. São eles que nos informam sobre o toque, sobre a ligação à matéria. Os dedos informam-nos sobre o mundo, a sua textura, o seu relevo. O toque na matéria é importante, porque é a prova definitiva do real – tirando o palato, todos os outros sentidos podem revelar uma realidade que não é, pois hoje, com a tecnologia, os pequenos fragmentos de histórias que vamos encontrando podem ser uma verdade, mas não ser o real. O toque proporciona a proximidade com o real – à distância não se toca.
É preciso tocar, voltar a por a mão na matéria e subtrair para formar no confronto entre a ideia e a matéria. A matéria, sempre a matéria, viva ou morta. Tudo o que é real é matéria, a verdade é outra coisa. A Verdade são as ideias que às vezes são falsas, por isso não são do real; mas o toque sim, esse revela-nos o real, o que existe, o que mudamos efetivamente com a nossa ação. Mudar verdades é mais difícil e nem todos o conseguem. Para isso temos as mãos, para poder fazer, mudar com a forma, com a ação, “é a fazer que se faz”. Precisamos da proximidade do toque na matéria para saber o que é real, porque, desta forma, as verdades são menos falsas. Precisamos das mãos e dos dedos.
Os dedos são o orgão do corpo humano com mais nervos. Acima, só o clitóris e a glande.